Alzheimer: guia completo sobre a doença e seus tratamentos

A medicina tem conseguido prolongar a vida humana ao, cada vez mais, descobrir maneiras de prevenir e curar doenças e disfunções que afetam as mais diversas partes do corpo e do organismo. Ainda que os avanços em algumas áreas já consigam, inclusive, acabar com alguns problemas definitivamente, em outras, por mais que não faltem esforços da comunidade médica, a complexidade dos casos faz com que atualmente não se consiga reverter alguns quadros. Um desses exemplos é o Alzheimer, doença degenerativa que não tem cura.

Geralmente a doença que acomete pessoas após os 50 anos é um dos grandes desafios que a medicina enfrenta nos dias atuais, não só por pouco a pouco destruir a sanidade mental do paciente, mas principalmente por afetar a vida de seus familiares e pessoas de seu círculo social.

Para entender melhor sobre o Alzheimer, seus sintomas, tratamentos e dicas de como preservar nossa saúde mental, combater seus efeitos indesejáveis e como cuidar de pessoas que possuem essa degeneração, o projeto ACOLI desenvolveu um guia completo sobre o assunto. Confira!

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é um dos principais tipos de demência que existe. Ela recebe esse nome por conta do neurologista alemão Alois Alzheimer, o primeiro especialista a perceber e descrever essa patologia.

O Alzheimer é uma doença degenerativa até então incurável e de avanço progressivo. Os neurônios de algumas partes do cérebro são destruídos, resultando em perdas consideráveis nas funções cognitivas, comportamentais e linguísticas.

De acordo com o portal Alzheimer Clarity, esse tipo de demência afeta quase 8% de toda a população mundial acima dos 60 anos – esse número cresce para 40% em pessoas com mais de 90 anos.

Ela é progressiva e se desenvolve em 3 etapas (ou 4, de acordo com algumas considerações): fase inicial, intermediária e tardia. Sua fase pré-sintomática (antes da doença se manifestar) tem sido alvo de intensas pesquisas.

Como ela se desenvolve no cérebro?

O Alzheimer tem o poder de matar células nervosas e fazer com que parte do tecido cerebral se perca. Com o passar dos anos, isso causa encolhimento do cérebro. É aí que duas estruturas principais são afetadas: córtex e hipocampo.

A diminuição do primeiro prejudica as regiões envolvidas em lembranças, pensamentos e planos. Já a segunda é a responsável por criar e preservar novas lembranças (por isso a perda de memória recente é um dos sintomas mais comuns da doença).

Porém, não são somente essas duas estruturas que são afetadas. No tecido cerebral de um paciente com Alzheimer calcula-se bem menos sinapses e células nervosas. Para piorar, há o aparecimento de placas, depósitos de fragmentos de proteínas que não existem em cérebros saudáveis, que se agrupam às células nervosas.

As que estão mortas ou próximas disso apresentam filamentos torcidos de outras proteínas, conhecido como emaranhados neurofibrilares. São as placas e esses emaranhados os principais suspeitos de matar as células saudáveis e parte do tecido cerebral.

Placas

Quando pedaços de beta-amiloide, um tipo de proteína, se prendem, eles recebem o nome de placas. Essa proteína vem de outra proteína maior que está em uma membrana em volta das células nervosas. Como a camada de membrana é gordurosa, a beta-amilóide tem aspecto pegajoso.

Essa propriedade permite que, quando partes entrem em contato, elas se unam, formando as placas. Porém, de acordo com a Alzheimer Association, acredita-se que as grandes placas não são tão nocivas quanto os pequenos pedaços que se agrupam. Isso porque as uniões de tamanho menor conseguem se colocar entre as sinapses e bloquear a comunicação entre elas.

Suspeita-se de que eles também consigam ativar o sistema imunológico do corpo, fazendo com que as células de defesa atuem na região como se houvesse inflamação, acabando com as células que apresentem deficiência.

Emaranhados

Um dos grandes impactos dos emaranhados no cérebro é destruir o sistema que transporta células fundamentais feitas de proteínas. Esse sistema é organizado da mesma maneira que um trilho de trem, com células e nutrientes se locomovendo como se fossem os vagões. Quem garante a consistência dos trilhos é a proteína tau.

O que acontece é que esses emaranhados conseguem transformar a tau em filamentos torcidos (emaranhados). Uma vez que ela não consegue mais manter os trilhos retos, eles se rompem e acabam por se desintegrar. Desta maneira, o transporte de nutrientes fica impossibilitado e, sem alimento, as células do tecido do cérebro acabam morrendo.

Estágios de desenvolvimento do Alzheimer

Ao buscar informações sobre os estágios de desenvolvimento da doença de Alzheimer, é normal que não se encontre um padrão. Isso porque não há uma definição oficial e cada um pode interpretar da sua maneira.

Iremos dividir em quatro estágios: fase inicial, moderado, avançado e terminal. O primeiro deles é silencioso e os outros três são baseados no modo como o Dr. Dráuzio Varella e a Associação Brasileira de Alzheimer classificam a doença.

Pré-sintomático

O estágio pré-sintomático do Alzheimer começa com bastante antecedência aos primeiros sintomas, cerca de 10 a 20 anos antes. Nestes anos, as placas e emaranhados começam a se formar no cérebro, mas ainda não afetam nenhuma das funções do paciente.

Inicial

Durante o estágio inicial, aparecem os primeiros sinais da doença. O mais comum é o paciente apresentar pequenos lapsos de memória, como não lembrar o lugar onde deixou algum objeto. A pessoa com Alzheimer também tem uma mudança em sua personalidade, que influencia no humor. Ele também passa a perder habilidades visuais e espaciais e, por isso, é normal que a pessoa sofra algumas quedas.

O paciente segue conseguindo ser independente, ele ainda não tem noção da doença e a aceitação pode ser um processo difícil. Portanto, é preciso ter paciência e cuidado para saber qual o momento certo de falar com ele sobre o diagnóstico. Enquanto isso, as pessoas próximas devem buscar aprender mais sobre a doença, quais os tratamentos e como ajuda-lo nos estágios mais avançados.

Moderado

É o estágio mais duradouro da doença nos pacientes e o primeiro que faz com que a independência da pessoa acometida com Alzheimer seja colocada em xeque. Aqui, aparecem os problemas com coordenação motora e dificuldades para falar. Os lapsos de memória também se agravam e é normal que episódios importantes ou informações especiais sejam esquecidos.

Os pacientes neste estágio também apresentam insônia, agitação e comportamento repetitivo. As alterações de humor e comportamento também se alteram com mais frequência e intensidade e muitos deles possuem picos de agressividade.

Avançado

No último estágio do Alzheimer, o paciente se torna resistente às tarefas simples, como tomar banho. Ele também apresenta dificuldades de se comunicar, comer e de realizar alguns movimentos motores, que gradativamente vão piorando. Incontinências urinária e fecal se iniciam.

A memória é ainda mais afetada e agora há perda de consciência e de experiências recentes. As habilidades físicas também são comprometidas e sentar, engolir, andar e deitar se tornam tarefas mais complicadas de serem realizadas sem auxílio. O sistema imunológico fica fragilizado e aumentam as chances de se contrair doenças e infecções.

Avançado

O paciente permanece totalmente dependente sem nenhum tipo de interação com o meio social. A morte acaba acontecendo por doenças oportunistas.

Por que o Alzheimer é incurável?

No momento, o Alzheimer é incurável pois a medicina ainda não conseguiu descobrir a raiz do problema. Sim, eles sabem que o que leva uma pessoa a ter a doença são as placas e os emaranhados que destroem as funções cognitivas do paciente, mas ainda não conseguiram entender por que esses dois processos se desenvolvem em nossos cérebros.

O mistério é tanto que, de acordo com a Clínica de Cleveland, nos Estados Unidos, entre 2002 e 2012, 99% dos medicamentos que foram testados para curar esse tipo de demência não resultaram em efeitos positivos. A explicação é a mesma que foi dada acima: como não se sabe o que leva ao desenvolvimento da doença, é bem difícil saber o que a medicação deve atacar diretamente.

Outro problema que torna o Alzheimer incurável é o seu estágio pré-sintomático. De maneira silenciosa, ele já começa a destruir algumas células nervosas. Quando os primeiros sintomas aparecem e o diagnóstico é descoberto, algumas já morreram e não há mais como reverter esse quadro.

A situação se agrava ainda mais quando o diagnóstico é feito de maneira tardia. Isso acontece muito porque a família do paciente desconhece o assunto e, por isso, não considera como anormal os primeiros sintomas, acreditando que são só marcas da idade avançada. Quando se dão conta de que se trata de alguma demência, os danos neurais já são consideráveis e difíceis de serem controlados.

Porém, o cenário é de otimismo, uma vez que cientistas estão chegando mais próximos de descobrir as causas da doença. Há indícios de que a predisposição genética pode ser um dos fatores que causem o Alzheimer, principalmente em pessoas mais jovens, que acabaram de superar os 50 anos.

Existem também hipóteses de que vírus, deficiências de algumas enzimas e proteínas e até exposição ao alumínio possam ajudar a desenvolver a demência, mas ainda não existem provas concretas que possam estabelecer essa relação com segurança.

Nos últimos dias, a novidade ficou por conta de uma publicação científica na revista Science Advances que indica que a saúde bucal pode ter relação com o Alzheimer. De acordo com o estudo, a bactéria seria a Porphyromonas gingivalis, responsável por periodontite crônica.

Pesquisadores da empresa farmacêutica Cortexyme, durante um estudo, encontraram essa bactéria no cérebro de pessoas que foram afetadas pelo Alzheimer. Eles encontraram as mesmas enzimas que a bactéria usa para “comer” a gengiva em 96% das amostras dos tecidos cerebrais dos pacientes com a doença.

A descoberta é nova e ainda é cedo para dizer o que isso significa, mas, pelo menos, indica que existe relação entre a doença odontológica e a cognitiva – uma hipótese plausível levando em conta que infecções bacterianas na gengiva podem parar na corrente sanguínea e se espalhar por qualquer parte do corpo, inclusive o cérebro.

Porém, existem muitos outros estudos com muitas suposições.

Fatores de risco

Ainda que a compreensão completa da doença seja um mistério, algumas pesquisas apontam alguns fatores de risco que podem levar uma pessoa a desenvolver o Alzheimer. Porém, lembre-se: mesmo que alguém não apresente nenhum dos pontos a seguir, é possível e normal que ela desenvolva a demência em um estágio avançado da vida.

Idade

Esse é o principal fator de risco para o surgimento do Alzheimer. Isso porque a maioria das pessoas que são diagnosticadas com a doença já passou dos 65 anos. Não é tão comum, mas o Alzheimer prematuro é uma realidade que atinge cerca de 5% das pessoas abaixo dos 65 anos. O problema é que, por ser mais raro, muitas vezes o diagnóstico é feito de forma equivocada.

Predisposição genética

Pesquisas mostram que existem variações genéticas que tornam pessoas mais suscetíveis ao desenvolvimento do Alzheimer. Exemplo disso é o gene APOE-e4, o mais comum que apresenta risco. Supõe-se que ele possa ter influência em até 25% dos casos da doença.

Hereditário

A ciência ainda não descobriu uma explicação clara para a ligação de hereditariedade do Alzheimer, mas indícios mostram que essa relação tem tudo para existir.

Pessoas que possuem pais ou irmãos que desenvolveram a doença estão mais propensas a sofrer da mesma demência que pessoas que não possuem esse histórico entre os seus parentes de primeiro grau. Acredita-se que a genética, o estilo de vida e o ambiente possam levar a essa conclusão.

Doença cardiovascular

Não há uma comprovação sobre essa relação, mas os indícios e a lógica sugerem que ela seja real. Sangue e oxigênio são levados ao cérebro através do bombeamento do coração que permite a circulação nos vasos sanguíneos. Portanto, doenças cardiovasculares podem prejudicar esses processos e fazer com que os nutrientes necessários não cheguem em suficiência aos tecidos cerebrais.

A falta de nutrição leva à morte as células neurais e ao desenvolvimento do Alzheimer. Obesidade, diabetes, fumar, colesterol e pressão alta também podem agravar os quadros, uma vez que são responsáveis por algumas das doenças cardiovasculares.

Educação

Estudos mostram que poucos anos de educação formal podem levar ao surgimento da demência. Ainda não há clareza, mas cientistas acreditam que mais anos de estudo formal podem fortificar as ligações entre os neurônios, permitindo que o cérebro, ao ser acometido com Alzheimer, encontre rotas alternativas de comunicação.

Traumatismo craniano

Pessoas que sofreram algum tipo de traumatismo craniano moderado ou grave, aquele que causa perda de consciência ou amnésia por pelo menos 30 minutos, possuem maiores chances de desenvolver Alzheimer. O mesmo vale para atletas que passam anos sendo submetidos a pancadas, como lutadores e jogadores de futebol americano.

Sintomas

É importante saber que as pessoas ao redor do paciente possuem mais facilidade em perceber que ele está com Alzheimer do que a própria pessoa afetada. Por isso, a percepção dos primeiros sintomas depende muito mais dos familiares.

A perda de memória é um dos primeiros sinais, mas é impossível diagnosticar a demência somente com esse sintoma. Isso porque, mesmo em cérebros saudáveis, é comum que com a idade avançada algumas coisas sejam esquecidas ou se tornem difíceis de serem lembradas.

Sendo assim, os sinais que acusam que há um possível quadro de Alzheimer são os seguintes:

  • Mudanças na personalidade ou de humor;
  • Dificuldades para resolver problemas devido à falta de conexões neurais;
  • Problemas de comunicação escrita e falada;
  • Alterações visuais (dificuldade para entender imagens);
  • Perda da noção de espaço;
  • Confusão sobre locais, pessoas, datas e eventos (é normal que o paciente crie uma história em sua cabeça que para ele aconteceu de verdade);
  • Perda de memória relacionada a eventos importantes, como a morte de um parente.

Esses são alguns dos sintomas que podem ser percebidos nos estágios leve e moderado da doença. Os sinais que se desenvolvem na fase avançada não foram colocados nessa lista pois, antes que eles apareçam, os outros já serão claros e compreendidos pelos familiares e, talvez, pelo paciente.

Diagnóstico

O diagnóstico do Alzheimer é também algo complicado. Em muitos casos, só de avaliar o histórico familiar e pessoal do paciente, realizar alguns testes psicológicos e analisar todos os sintomas apresentados para excluir outros tipos de demência é possível chegar perto de classificar o quadro como Alzheimer (porém, esse diagnóstico pode estar errado em 10% dos casos, uma taxa elevada para a medicina).

A precisão só pode ocorrer em três casos (em dois deles com o paciente vivo e o outro através de uma autópsia após o falecimento).

O primeiro pode ser obtido através de imagens de amiloides no cérebro e o segundo pela introdução de biomarcadores fluidos. Para injetar rastreadores radioativos no paciente, que permite a visualização dos amiloides no cérebro, é necessário um alto investimento em tecnologia. Por isso, somente algumas clínicas realizam esse exame e ele tem um preço alto a ser pago.

Já o segundo, envolvendo biomarcadores fluidos, consiste em coletar uma amostra do líquido cefalorraquidiano (LCR), que é retirado do espaço entre as vértebras enquanto o paciente está anestesiado. Isso medirá os níveis de quatro proteínas presentes no organismo e, quando alguma delas estiver com taxas anormais, significa que o paciente tem Alzheimer.

É importante que se saiba que o diagnóstico precoce é de extrema importância para o paciente e seus familiares. Ainda que o Alzheimer não tenha cura em nenhum estágio, descobrir cedo significa poder trata-lo enquanto o cérebro está com alguma saúde, prolongando a vida útil da pessoa e tornando tardio o aparecimento dos sintomas dos estágios mais complicados.

Sobre os familiares, enquanto antes eles souberem que estão lidando com uma pessoa com demência, mais fácil fica se adaptar às novas necessidades da pessoa e se planejar para o que o futuro reserva.

Mais uma vez, o cenário é de otimismo. Recentemente, um grupo de 30 cientistas conseguiu desenvolver um exame sanguíneo que pode prever se uma pessoa terá Alzheimer com até 16 anos de antecedência. Publicado na revista científica Nature Medicine, ele é feito através de uma coleta simples de sangue do paciente.

O que acontece é que eles descobriram que é possível fazer essa previsão ao medir o Neurofilament Light Change (NLC), ou, em português, “Mudança de Luz de Neurofilamento”. Essa substância está localizada no interior dos neurônios e, quando um está danificado, ela acaba vazando para o LCR.

Os estudos ainda estão em fase preliminar e é impossível classifica-los como 100% comprovatórios, mas caso isso venha a acontecer, o diagnóstico com biomarcadores fluidos deixará de existir. Boa notícia, já que o teste sanguíneo é mais prático e menos indolor que a alternativa que temos hoje em dia.

A descoberta mais recente foi feita no Brasil e em janeiro de 2019 foi divulgada em rede nacional: cientistas da UFRJ descobriram que um hormônio relacionado à queima de gorduras e produzido pelos músculos pode reverter a doença.

Prevenção

Infelizmente, não há uma maneira de prevenir o Alzheimer, uma vez que ainda é impossível saber o que faz com que ele desencadeie os processos que destroem as estruturas cognitivas. Ainda assim, como para prevenir qualquer outra doença, manter bons hábitos alimentares e praticar atividades físicas pode ser que ajude a impedir que a doença se desenvolva.

Isso vai fortalecer corpo e mente, mas não significa que pessoas que adotaram essas medidas estejam imunes à demência. Por enquanto, só nos resta tentar impedir que ela apareça.

Existe algum tratamento para Alzheimer?

Sim, existe tratamento para Alzheimer, mas ele não tem o poder de curar a doença e reverter os danos que ela já causou ao paciente. O máximo que se consegue com ele é adiar o surgimento de alguns sintomas e de controlar os outros.

Isso é feito através de alguns medicamentos que aumentam os neurotransmissores do cérebro ou por terapias que tentam ativar as células cerebrais para que elas não morram.

Participar de atividades é uma maneira de controlar as oscilações de humor e ajudar a controlar a agressividade que em alguns momentos toma conta do paciente com Alzheimer. Isso pode ser fisioterapia, musculação leve, aula de pintura ou até mesmo encontro com familiares.

Na Universidade de Queensland, na Austrália, um grupo de pesquisadores desenvolveu um tratamento que terá seus primeiros testes em humanos realizados em 2019 – em camundongos idosos com a doença, os resultados foram positivos e animaram os cientistas.

Eles utilizam bolhas de gás microscópicas no cérebro do paciente. Elas ficam posicionadas próximas às placas formadas pela proteína beta-amiloide. Quando entram em contato com energia ultrassônica, as bolhas conseguem quebrar a barreira hematoencefálica, responsável por proteger involuntariamente as placas.

Uma vez expostas, elas podem ser eliminadas, desta forma, fazendo com que as sinapses voltem a ficar livres para a circulação de impulsos nervosos.

Como cuidar de alguém com Alzheimer?

Esse é um tópico delicado, pois saber como cuidar de um ente querido que não esteja mais com a sua sanidade mental é complicado e traz muita carga emocional para as duas partes. O primeiro ponto é saber se conta ou não ao paciente que ele está sofrendo de demência.

Não há uma regra sobre isso, ficando à critério dos familiares se devem ou não falar sobre o assunto com o paciente. Porém, os profissionais de saúde que estão envolvidos podem ajudar e orientar dependendo do caso.

O mesmo vale sobre as histórias inventadas ou distorcidas que ele irá contar nos próximos anos. É importante pesar quais as vantagens e desvantagens de fazer uma intervenção e expor a realidade. Essa contradição pode gerar ansiedade no paciente e agitação, que podem rapidamente se transformarem em agressividade ou chateação.

Caso a família queira contar ao paciente que ele possui quadro de Alzheimer, isso deve ser feito quando se está no estágio inicial, de acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Isso porque a sua saúde mental ainda está boa e ele consegue compreender a informação que está recebendo.

Tudo depende da personalidade da pessoa e como ela reage a notícias negativas. Se conseguirem superar com tranquilidade, elas até podem fazer parte do processo de decisão sobre o futuro.

Abaixo, veja algumas dicas que podem ajudar a cuidar de pessoas com Alzheimer:

Planeje o dia

No estágio inicial, quando o paciente ainda é independente, ter uma agenda organizada com as tarefas que ele deve fazer no dia ajuda a mantê-lo mais estruturado e pronto para encarar a rotina.

Atividades

É complicado tentar estimulá-lo a aprender coisas novas, mas incentivá-lo a realizar as atividades que gosta é uma boa maneira de controlar o humor. O ideal é que as atividades envolvam a independência dele.

Objetos

Para ajudar o paciente a se localizar, é melhor que as coisas sempre fiquem no mesmo lugar. Sabendo onde cada coisa fica, ele não precisa forçar o cérebro para se lembrar a última vez que viu tal objeto.

Reduza suas escolhas

Sempre que temos mais de uma opção à nossa escolha, involuntariamente, o cérebro começa a ponderar qual é a melhor decisão que você pode tomar. Para a cabeça do paciente com Alzheimer, esse processo é complicado e não faz nada bem.

Por isso, reduza drasticamente as opções que ele tem. Por exemplo, não tenha um guarda-roupa com muitas peças e não pergunte o que ele quer almoçar. Separe duas camisas e selecione um cardápio com dois ou três pratos e veja qual destas poucas opções ele prefere.

Ajude-o a ter noção de tempo

Coloque vários relógios espalhados pela casa e deixe as janelas sempre abertas. Quando o paciente tem a noção de que o tempo está passando, ele consegue ter uma percepção melhor do dia e isso o ajuda a ter noção do que está ao seu redor.

Comunicação

É uma parte muito importante dos cuidados. Não fale com ele como se ele não te entendesse. Basta falar com calma, pausadamente e de forma objetiva. Sempre que possível, faça perguntas que possam ser respondidas com “sim” ou “não”, evitando que ele precise se esforçar muito para responder.

Considerações finais

O projeto ACOLI nasceu com a missão de ajudar famílias a lidarem com idosos dependentes e como cuidar dos mesmo em casa. Assim, ela inaugura sua jornada ajudando parentes acometidos pela doença de Alzheimer. 

Esperamos que esse artigo tenha sido esclarecedor e que, com ele, você possa tomar as melhores decisões para ajudar seus entes queridos.

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